por Cláudio Brasil
João Estrella, o protagonista desse instigante longa de Mauro Lima, é apresentado ao público na pele do talentoso ator Selton Mello, que revive nas telas a extraordinária história de um “cara de boa família” que se expõem as ilusões, aos prazeres e as dores que a perda de limites impiedosamente lhe proporciona.
“Ele tinha tudo, menos limite.”
Um sujeito popular que viveu intensamente sua juventude entre amigos e o mundo da contravenção. Uma figura boêmia que se lançou nas mais loucas e proibidas aventuras, sem se preocupar com as conseqüências, e se tornou o rei do tráfico de drogas da zona sul do Rio de Janeiro, nas décadas de 80 e 90.
Muito da identificação que o espectador demonstra ter com o personagem principal, se dá por seu carisma inquestionável que é exposto na trama. Elemento que aproxima e convida a platéia a torcer pelo “usuário inconseqüente” na luta por sua recuperação e a esperada absolvição no tribunal.
A fita não tenta passar lição de moral e nem faz julgamentos ditatórios, apresenta sim, as fragilidades comuns a todos nós e as seqüelas de atos impensados. Mas mesmo abordando um tema pesado e considerado tabu em nossa sociedade, Meu Nome Não É Johnny se preocupa em focalizar o comportamento do indivíduo e se distancia da questão do vício, mostrando a impressionante capacidade humana de superar os próprios erros e de dar a volta por cima.
Meu Nome Não É Johnny acaba apresentando ao público os problemas da nossa hipocrisia e dos nossos medos. Uma obra que emociona e joga novamente na berlinda o discurso das drogas e seus efeitos. Só que desta vez, trabalha uma outra ótica desse problema: deixa de lado os excluídos previsíveis (os favelados, baixa renda) e se atem aos incluídos classe A, (os mauricinhos de famílias nobres) que como qualquer pobre pode abastecer o movimento e estampar as páginas de jornais de todo o país (como volta e meia ocorre).
Eu fui conferir esse filme que conta com um elenco emocionalmente singular, e que mostra os resultados da busca imprudente pelo hedonismo a qualquer preço, e da sensação de imunidade que enganosamente a juventude parece nos garantir. E, inspirado na idéia contida no livro homônimo do jornalista Guilherme Fiúza, trago ao Mundo Fabuloso, na estréia da seção Lenha na Fogueira, um espaço para a troca de opiniões sobre esse inquietante e ameaçador Universo das Drogas.
Está aberto o debate!
Deixe suas considerações a respeito do tema. Diga pra gente o que você pensa e em que dimensões esse filme pode ser relevante para a relação dos adolescentes com a polêmica das drogas.
Será que tem alguém disposto a botar mais Lenha na Fogueira?
Ah! Detalhe: faz parte da trilha sonora de Meu Nome Não É Johnny, a música "Mestre Jonas" de Sá, Rodrix & Guarabyra, faixa que linka adequadamente ao assunto que será exibido no meu próximo post intitulado de A BIBLIA E OS CONTOS DE FADAS, Aguarde!
Um comentário:
Tudo bem vai!
A galera tá de férias, né!
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