“Bom, nem preciso dizer que acho super válida a iniciativa do Mundo Fabuloso e fico triste à beça por ele estar simplesmente chegando ao fim. Claro que é um conteúdo bastante dirigido e a pretensão nunca foi ter grande número de leitores e sim um público realmente interessado em narrativas (especialmente as fabulosas), seja em filmes, livros ou na publicidade. Acho que chegamos lá. Especialmente, você, Cláudio!
tipo: revista titulo: A distância entre o mundo real e um conto de fadas é mínima. Uns quinze centímetros para ser mais exato. redação: Thiago Cruz direção de arte: Ossimar Farias direção de criação: Rafael Godinho arte final: Marcio da Mota agência: Simples Comunicação (CE) anunciante: Diva produto: Calçadose acessórios planejamento: Barbara Redes
Em respeito a todos os nossos visitantes internautas, venho a público informar, que é com grande lamento que anuncio a exata data em que nossas produções, aqui no Mundo Fabuloso, passarão a virar "lenda" no espaço virtual e na memória de muita gente que curte o nosso blog. Dia 31 de Março de 2008 marcará o final de uma trajetória fantástica que eu, Cláudio Brasil, e minha super colaboradora Lorreine Beatrice, optamos em trabalhar na rota da blogosfera.
Mas as despedidas oficiais ficam lá pra frente. Ainda vamos aproveitar muita coisa bacana, até o fim do mês, como esse "mix de humor e ousadia" que a Lorreine traz no "Espelho, espelho meu" de hoje. Confira logo abaixo!
Ao longo dessa trajetória de estudos sobre os contos de fadas, já percebemos que eles se manifestam na linguagem publicitária de duas maneiras preponderantes: as mensagens que reforçam determinados valores tradicionais das narrativas ou as que simplesmente as contestam.
Uma campanha interessante que ainda não passou pelo Mundo, foi a de lançamento do Pepsi Max, o refri sem açúcar da Pepsico (e olha que ele apareceu bem antes por aqui do que a rival Coca Zero).
Gosto de imaginar o brainstorm feito pelos caras para chegar no conceito. A analogia entre açúcar-condimento e açúcar-sentimentalismo-bobo é não só interessante quanto adequada, em sintonia com o público e produto. Mas não nos enganemos: a história diz exatamente o mesmo – quem toma PepsiMax é muito mais cool.
Outra característica freqüente é pensar que os contos de fadas são usados para explorar razões emocionais ligadas a produtos ou serviços – o afeto entre príncipe e princesa, o final que mesmo variável é sempre feliz e todas as outras coisas que você conhece bem. Em alguns casos, porém, o uso dos contos de fadas pode estar permeado por características racionais. Um dos casos em que isso se manifesta de maneira evidente é nesta campanha para o Mega TIM, que divulga determinados descontos especiais.
É claro que os contos de fadas não são solução para todo problema ou servem de recurso criativo para qualquer situação.Mas não precisa ser nenhum Einstein pra perceber que conhecer essas narrativas primordiais nos dá possibilidades, abre portas e caminhos na hora de criar e persuadir.
Lorreine escreve para o Mundo Fabuloso todas as quintas-feiras na seção “Espelho, espelho meu”.
Em principio, na tradição oral, as histórias compiladas pelos estudiosos não eram destinadas ao público infantil e sim aos adultos. E isso, grande parte do público que acompanha o “Mundo” já sabe. Foram os irmãos Grimm que as dedicaram às crianças por sua tendência em trabalhar a temática mágica e maravilhosa. Eles acabaram unindo esses dois universos: o infantil e o popular e já no 1º título publicado pela dupla, Contos da Criança e do Lar (Kinder und Hausmärchen), de 1812, essa proposta educativa é evidenciada.
E essa abertura só foi possível e influenciada graças ao Romantismo da época que trouxe ao mundo literário (nesse caso, mas específico as narrativas fabulosas) um sentido mais humanístico, deixando de lado o enfoque na violência, tão presente nos contos de Charles Perrault. Sim, porque Perrault visava passar lição de moral à sociedade e responder aos interesses da nobreza através de suas obras, até que começa a perceber que a concorrência cede lugar ao lado maravilhoso da vida nos escritos daquele período.
Pelos irmãos Grimm as histórias passaram a conter desfechos mais suaves, evidenciando a solidariedade e o amor ao próximo. Não que os aspectos negativos tenham se extinguido por completo, não é isso! Eles continuavam presentes nesses contos, porém, existia um predomínio da esperança e a confiança na vida bem mais forte.
Entre os textos mais conhecidos dos irmãos Grimm estão:
O Mundo Fabuloso vem mostrar como o sistema midiático se apropria de elementos dos contos infantis, para transmitir suas ideologias e conquistar, cada vez mais, seu público consumidor.
Acreditando que lendas e contos de fadas são instrumentos fundamentais para que as crianças possam trabalhar e conter seus instintos mais agressivos, é que surge “Biloca – a boneca-palhaço”, história cujo tema principal gira em torno de como anda a relação das crianças com seus pais e o mundo que as cerca.
Tentando dar uma mãozinha e contribuindo para que o desenvolvimento da personalidade desses pequenos se torne muito mais prazeroso e divertido, é que nasce uma personagem novinha em folha: Biloca, uma boneca de retalhos, que buscará, por meios de seu desejo mais especial, recuperar o que de melhor existe no coração de uma rebelde garotinha, a Maria da luz. A boneca atuará pouco a pouco no intuito de ajudá-la a resolver os conflitos interiores normais nessa fase da vida.
Envolvendo a luta do bem contra o mal, num mundo fantástico, idealizado para nossa exótica personagem, onde vários conflitos desenvolvem o ritmo desta fábula, o texto “Biloca - a boneca-palhaço”, além de cumprir a função de entretenimento, visa estimular as percepções infantis tanto para fatos cotidianos como para os dilemas comportamentais do universo das crianças.
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